sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sucesso de público, Encontro com Tia Leninha recebe mais de 6 milhões de cartas


 Encontro com Tia Leninha recebeu 6, 728 milhões cartas 
Ao longo dos 20 anos em que ficou no ar, o programa Encontro com Tia Leninha foi sucesso absoluto. Neste período, Heleninha Bortone recebeu 6, 728 milhões cartas e conquistou uma das maiores audiências da emissora. Era uma novidade para aquela geração.
 
Por sugestão da radialista, o programa iniciou com  meia hora, apresentado diariamente pela manhã, mas passados sete dias da estreia, já havia chegado mais de 500 cartas. Tamanho foi o sucesso que tempos depois o programa passou a ser reprisado pela tarde. Anos mais tarde o programa ganhou mais meia hora e passou a ser veiculado às 13h30. Posteriormente o Encontro com Tia Leninha chegou ser veiculado ao meio dia e meio.  


Ineditismo

Nas décadas de 30 e 40, a programação infantil era comum no rádio brasileiro, mas quando o Encontro com Tia Leninha entrou no ar, o gênero já havia sido deixado de lado há muito. Na década de 1980, notas esparsas apontam apenas os programas existentes na grade de emissoras educativas, como João e Maria, o Maestro e a Música, transmitidos pela Rádio MEC/Rio, Quem Conta um Conto, Saci Pererê, Semente Menino, produzidos na Rádio Cultura.

O ineditismo do programa para a população da região amazônica, para onde as transmissões da Rádio Nacional da Amazônia eram direcionadas, garantiu o sucesso de Heleninha Bortone. Na sequência, o programa passou a ser veiculado por outras emissoras como a Rádio Nacional de Brasília AM. 

Além da resposta das cartas que chegavam aos milhares, o Encontro com Tia Leninha também passou a ser reconhecido internacionalmente, conquistando prêmios.  Em 1981 foi indicado ao  prêmio Ondas, em Barcelona, na Espanha, e recebeu a medalha do Pacificador Duque de Caxias,  com o quadro Casinha Verde-Oliva.

Quadros 

Uma das grandes marcas do programa eram as músicas, os ouvintes puderam ter contato com as mais variadas produções dedicada as crinças.   “As músicas inseridas no programa pertenciam à época mais rica da música infantil - Patotinha, Balão Mágico, Trem da Alegria. Foi uma época riquíssima em músicas infantis", assim recordava Heleninha.

O programa também contava com quadros de grande sucesso, como o Falando Sério, no qual eram abordados temas como ciúme, raiva, educação, dentre tantos outros. Algumas editoras chegaram a contatar a radialista para editar os temas levados ao ar como se fossem crônicas, apesar de Heleninha fazer sua apresentação no improviso. 

Outro grande sucesso do programa era o Todo dia é dia de bicho, em que eram apresentadas as características dos mais diversos tipos de animais do Brasil e do mundo. Funcionava como uma aula de biologia para as crianças, pelo rádio. 

No Encontro com Tia Leninha, os ouvintes tinham contato com a história, geografia, artes e a cultura do mundo. Mas o grande destaque eram as histórias infantis contadas por Heleninha Bortone e outras vindas de gravadoras especializadas, como a Continental. Ao longo do período em que o programa ficou no ar, a radialista acumulou em seu acervo pessoal mais 400 gravações.

Radionovelas
 
As produções próprias de Heleninha Bortone começaram ainda no primeiro ano do programa, com a radionovela História do Dito Gaioleiro, levada ao ar em 1980. Essa também foi a primeira produção do gênero da Rádio Nacional da Amazônia e retratava a vida de um menino que fazia gaiolas e, junto com outras duas crianças, viveu uma experiência inesquecível, que mudou suas vidas. 

Na sequência, vieram muitas outras produções, como Uma Casa para Muitos e Pedrinho Engraxate.  Além das histórias inéditas, Heleninha adaptou outras, entre as quais Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, e clássicos da literatura infantojuvenil: Pollyana e Pollyana Moça, de Eleanor Porter, que juntas ficaram seis meses no ar.

O Encontro com Tia Leninha ficou no ar até 1999, quando a programação da Rádio Nacional da Amazônia passou por transformações e a radialista Heleninha Bortone deixou a emissora e foi morar em São Paulo, onde passou a dar aulas. A radialista tinha formação em Letra e Direito.  

Acompanhe trecho do programa Encontro com Tia Leninha levado ao ar na década de 1980.

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